Sentem-se e parem de tremer como chihuahuas ansiosos. Garçom, traga uma dose de cachaça de alambique — e eu juro que se você me aparecer com alguma porcaria "gourmetizada" em barril de carvalho francês que custa o PIB de um microestado, eu viro a mesa. Quero o álcool honesto, aquele que queima a garganta e mata a esperança, porque é exatamente disso que precisamos para dissecar a carcaça purulenta do que vocês insistem em chamar de "trabalho".
Vamos ser brutais: o tal "valor de negócio" é uma ficção estatística, uma alucinação coletiva projetada para justificar o roubo sistemático de tempo em troca de moedas fiduciárias que valem cada dia menos. As organizações modernas não são estruturas lógicas; são aglomerados de primatas neuróticos amontoados diante de uma porta fechada, gritando palavras de ordem como "sinergia" e "propósito" para abafar o som do próprio pânico. É o teatro do absurdo encenado por macacos de terno que acreditam que, se fizerem reuniões o suficiente, a entropia do universo vai abrir uma exceção para o balanço trimestral.
Que bobagem.
Se aplicarmos a geometria da informação para mapear esse hospício, o que encontramos não é uma estratégia linear, mas uma variedade topológica deformada pela incompetência. A "curvatura" desse espaço não é uma abstração matemática elegante; ela tem a textura exata daquele arroz de marmita esquentado no micro-ondas do escritório pela terceira vez: duro, ressecado nas bordas e intragável no centro. Navegar por essa estrutura é sentir no estômago aquele vácuo gelado de quando o cartão de débito é recusado na frente de uma fila impaciente. O mercado tenta otimizar essa miséria, buscando a geodésica mais curta entre a exploração do trabalho alheio e a fraude fiscal legalizada, mas a topologia é tão suja que qualquer tentativa de lógica escorrega para o caos.
E não pensem que a introdução de escravos estatísticos de silício — aquilo que o marketing chama de "nova tecnologia" — vai salvar suas almas. Pelo contrário. A mediação algorítmica apenas amplifica a feiura da rotina. A "inferência organizacional" se tornou um exercício de sadismo burocrático. Olhem ao redor: o ar condicionado está sempre numa temperatura que oscila entre o ártico e o pântano; o carpete exala o cheiro da depressão de mil estagiários anteriores; e o café da copa tem o sabor inconfundível de água de bateria misturada com resignação. Vocês passam a vida otimizando planilhas que ninguém lê, rindo das piadas sem graça de chefes que possuem o carisma de uma porta emperrada, tudo isso enquanto os algoritmos de vigilância monitoram quanto tempo vocês demoram no banheiro.
Quero ir embora.
É nesse cenário dantesco que a verdadeira natureza do valor se revela: uma farsa estética. O ápice da carreira corporativa não é a realização pessoal, é o poder de segurar uma Caneta Montblanc Meisterstück de cinco mil reais. Não porque ela escreve melhor do que uma esferográfica de padaria, mas porque o peso da resina preciosa e da pena de ouro serve como lastro para a mão que assina a demissão em massa de um departamento inteiro sem tremer. É o totem final da futilidade burguesa: um instrumento de luxo usado exclusivamente para formalizar a miséria alheia com uma caligrafia impecável.
Estamos sendo digeridos. O sistema de processamento de dados que alimentamos com nosso suor e ansiedade não nos vê como humanos, nem mesmo como recursos. Somos ruído térmico. Somos a flutuação indesejada numa equação que busca o zero absoluto da eficiência desumana. A tecnologia está retificando a curvatura do mundo para eliminar o atrito, e o atrito, meus caros, somos nós. O futuro é uma superfície lisa, polida e perfeitamente vazia, onde a única coisa que resta é a lógica fria de um capital que já não precisa de gente para se reproduzir.
A conta, por favor. E se a máquina do cartão pedir gorjeta, eu incendeio este lugar.
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